Emoção e Qualidade Técnica Marcam o Evento de Premiação
|
Mais de 150 pessoas prestigiaram o evento de premiação |
|
A família de Olívio Lamas, com a viúva Elisabeth ao centro, no evento de premiação |
|
Com os troféus, da direita para a esquerda, os premiados Hermes Bezerra, Rubens Flores e Julio Cavalheiro |
Foi um legítimo gran finale o evento de premiação da primeira edição do Troféu Olívio Lamas de Fotojornalismo. Na noite de 12 de novembro último, no hall da Assembléia Legislativa, mais de 150 pessoas assistiram à solenidade que homenageou um dos maiores repórteres-fotográficos do Brasil, falecido em 23 de junho deste ano – e não só com depoimentos como o do ex-desembargador Francisco Vieira, enviado da ilha de Malta, onde estava na data, mas também pelo alto nível técnico das imagens premiadas. As 20 melhores, entre 36 inscritas, foram expostas no hall da Assembléia, e seguirão pra outros locais e cidades nos próximos meses.
Promovido pela Associação Catarinense de Imprensa (ACI), Sindicato dos Jornalistas e apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o troféu foi patrocinado pela Eletrosul, além da colaboração fundamental da Assembléia Legislativa. “O saldo foi muito positivo e assegura a continuidade do prêmio em 2008, certamente abrangendo trabalhos dos três estados do Sul”, considerou Josemar Sehnem, presidente em exercício do Sindicato dos Jornalistas. “Os valores profissionais e morais de Lamas foram multiplicados com essa iniciativa”, resumiu Elizabeth Rocha Lamas, viúva do homenageado, que estava acompanhada dos filhos Santiago, Aurora, Maria Maria e Vitória. Julio Garcia, deputado que preside a Assembléia; Paulo Arenhart, secretário de Comunicação de Florianópolis; Sérgio Murilo de Andrade, presidente da Fenaj; Ademir Arnon, presidente da ACI foram algumas das autoridades presentes.
Destaque para o artista plástico Barão Silvino Goulart, que elaborou um belo troféu aos vencedores (além de uma homenagem ao filho de Lamas, Santiago), usando uma foto do falecido fotógrafo.
Sem limites para documentar a vida
Venceu Hermes Bezerra, 35 anos, que trabalha no Diário Catarinense, mas estava em férias, em Buenos Aires quando captou a foto que intitulou ‘Limite do Desespero’. A imagem forte de um suicídio não conta toda a história da tragédia pessoal por trás do ato, nem o senso de oportunidade do repórter. Confira seu depoimento:
- “Era meu último dia em Buenos Aires e saí para um saque no caixa eletrônico. Na volta, passei defronte à Galeria Pacífico (principal shopping do centro da cidade portenha) e vi uma tentativa de suicídio. Voltei ao hotel, ali perto, para buscar meu equipamento fotográfico. As cenas seguintes foram de terror: o suicida, sem roupa, ameaçando se jogar, enquanto os bombeiros desciam em um ‘rapel’, para tentar resgatá-lo sem que fossem percebidos. Mas a luva de um dos bombeiros caiu e bateu no suicida, que se assustou e se projetou para além dos colchões de ar que aguardavam sua queda. Consegui captar o exato instante de seu pulo, mas o restante não fotografei. Estava chocado e a ética me impedia de gravar um ser humano naquelas condições”.
Pelo primeiro lugar, Bezerra ganhou um equipamento fotográfico digital no valor aproximado de R$ 3,5 mil.
Um segundo lugar muito especial
O repórter-fotográfico Rubens Flores, que trabalha na capital para o Diário do Litoral (Itajaí), demonstrou muita persistência e jogo de cintura para produzir a foto que conquistou o segundo lugar do Troféu Olívio Lamas. Intitulada ‘Morador de Rua’, a imagem premiada foi captada quando todos os olhares estavam voltados ao ato oficial – a troca de comando da Polícia Militar de Santa Catarina, uma solenidade no Largo da Alfândega, com a presença do governador Luis Henrique da Silveira e nomes do primeiro e segundo escalão dos três poderes do estado.
Sem descuidar de sua pauta, Flores teve olhar periférico e percebeu a presença de um morador de rua nas proximidades do evento. “O andarilho foi um show à parte”, lembra o fotógrafo. “Ele deitou perto do palanque onde as autoridades se pronunciaram, mas de vez em quando levantava e reclamava aos brados, incomodado com o barulho e os discursos. Embriagado e fedendo, foi ignorado pelas autoridades”, conta. Achar o ângulo certo e dissimular seu intento deu trabalho a Rubens Flores. “Alguns PMs estavam de olho em mim e precisei disfarçar. Mas se demorasse, o meu alvo poderia ir embora ou sair do melhor enquadramento. Apesar do estresse, tudo deu certo”, relata.
Pelo segundo lugar no Troféu Olívio Lamas de Fotojornalismo Flores recebeu um pacote turístico para Buenos Aires, com direito a acompanhante. Ele tem 35 anos, é manezinho da Ilha e com apenas quatro anos de profissão, formado pela Univali, com pós-graduação na UFSC.
Esporte na Pauta de Cavalheiro
Julio Cavalheiro, do DC, tem anos de intimidade com o jornalismo esportivo. Por isso, não foi surpresa que sua foto escolhida com o terceiro lugar (R$ 1,5 mil de prêmio) tenha o futebol como pauta. Nos jogos semifinais da Copa do Brasil desse ano, foi ao Rio acompanhar o confronto Figueirense e Botafogo. No treino, precisava documentar o goleiro Wilson, da equipe catarinense, um destaque nas partidas anteriores.
- “Minha primeira visão de onde estava treinando foi péssima, havia um muro atrás do gol, algo que deixaria o fundo muito ruim. Quando me aproximei e percebi os desenhos em grafite, vi que poderia montar uma bela imagem, desde que tivesse paciência e um pouco de sorte”.
O resultado fala por si: a foto foi capa do DC e terceira colocada no Troféu Olívio Lamas.
Menções que mereciam prêmios
Marco Cezar (revista Mural), Flávio Neves (DC) e Luis Prates receberam Menções Honrosas com imagens dignas de quaisquer dos prêmios. Foram contemplados com um Certificado.
Jurados que certificam a qualidade
Elaine Borges, Orestes Araújo, Tarcisio Mattos, Mauro Ferreira e Cláudio Silva da Silva foram os encarregados de selecionar as 20 melhores fotos que compuseram a Mostra, as seis finalistas e os três primeiros lugares. “Foi ao mesmo tempo um desafio e algo muito prazeroso”, resumiu Mattos. |